REMANSO DO BOSQUE: TRADIÇÃO INICIADA PELO PAI E CONTINUADA PELOS FILHOS

No final da década de 90, dois irmãos, Thiago e Felipe Castanho, percorriam as ruas de Belém, no Pará, entregando as pizzas que o pai, “Seu Chicão”, fazia.

Em 2000, “Seu Chicão” passou a cozinhar pratos típicos paraenses para vizinhos e amigos, com a ajuda da esposa e dos dois filhos. Desta maneira nascia o Remanso do Peixe que, nestes 15 anos, tornou-se um dos restaurantes mais conhecidos da cidade.

Aberto em 2011, o Remanso do Bosque segue a tradição gastronômica da família Castanho, hoje sob o comando dos filhos do fundador, Thiago e Felipe.

Aqueles meninos, que ajudavam o pai na cozinha, hoje administram esse espaço nobre da capital paraense.

Thiago Castanho

Thiago Castanho tornou-se um chef com reconhecimento internacional e o restaurante oferece mercadorias de produtores locais, aproximando cada vez mais as pessoas da história dos ingredientes. Tem cachaça de jambu, farinhas de Bragança, chocolate do combu e doce de leite do Marajó.

Thiago Castanho é um típico paraense. Com apenas 27 anos, já é um dos maiores nomes da gastronomia nacional.

Segundo o jornal The New York Times, ele é um dos mais inovadores chefs do Brasil, fazendo renascer a culinária amazônica. Além disso, foi eleito por três vezes Chef do Ano pela revista Veja Comer & Beber Belém, figurou na lista da revista Forbes 2015, que elegeu 30 brasileiros de destaque em diferentes áreas, integra a lista dos 50 Best Restaurants da América Latina e recebeu o título de chef do ano 2015, pela revista Prazeres da Mesa.

Conversamos com Thiago, que nos dá a Visão do Herdeiro e sua preparação para assumir em 2012 o restaurante da família. Ele conta que “desde o começo nos envolvemos na parte administrativa, com foco em gerir da melhor forma o negócio”.

Ao longo dos anos, segundo ele, foram melhorando de acordo com o crescimento da marca do restaurante. “Depois de consolidar o conceito, buscamos uma consultoria para formalizar os processos e aplicar na prática. Dessa forma, seguimos com o negócio maduro e alinhado”, diz.

Estar ao lado da família pesou na decisão de assumir o restaurante, apesar de ser um chef famoso, que poderia estar trabalhando numa grande cidade brasileira e até mesmo no exterior. “Acredito muito no conceito de família, tradição e costumes”, afirma. “Meu pai me ensinou todos os valores de comprometimento que tenho hoje. Foi com ele que crescemos na gastronomia, observando seu trabalho e dedicação. Foi nosso maior incentivador para profissionalizar a carreira que escolhemos e quem sempre me apoiou. Hoje, ainda participa ativamente com a família toda na administração do Remanso do Peixe”, finaliza Thiago Castanho.

Alumínio Ramos finaliza Processo de Sucessão Familiar

A preocupação em garantir a continuidade de uma empresa familiar não é nova. A grande questão está em encontrar
o caminho certo para a transição. A Alumínio Ramos, associada ao SIAMFESP fez uma primeira tentativa, sem sucesso. Ao invés de desistir, a diretoria buscou uma nova alternativa.
Durante uma palestra na sede do Sindicato sobre o tema, surgiu a ideia de retomar o processo de sucessão com
uma nova empresa, a Ricca & Associados. “Eu e meu pai, Ademar Ramos, tivemos uma primeira conversa com o
diretor da empresa, Domingos Ricca, e ficamos muito animados, pois ele fala a linguagem da empresa familiar”, conta o filho Helton Ramos da Silva.
Segundo ele o processo foi muito mais rápido que o esperado, terminou em cerca de 6 meses. Foram realizadas
reuniões com os diretores, fi cou definido que não haveria um presidente. “Temos o Conselho, Diretor Geral, Gerência Comercial, Industrial, Líder de Setor e Chão de Fábrica.
Há 30 anos na empresa, Helton Ramos assumiu os negócios da família, que conta ainda com duas fi lhas, uma
que administrava a loja de presentes e outra que mora fora do país há mais de 20 anos. O processo envolveu uma divisão de cotas e uma política de atuação. “Tudo foi para o papel, a política de RH, a inclusão de parentes, tudo documentado. Estando tudo escrito em vida, fi ca mais fácil gerir a empresa.”
Para o diretor da Ricca & Associados, Domingos Ricca, é importante destacar que a empresa é maior que todos, e qualquer ação a ser implantada precisa ser respaldada no fato de que a empresa vem em primeiro lugar. Para tanto, é necessário mostrar para a família que a sucessão não é discutir poder e sim como a empresavai trabalhar e se perpetuar.
Ele diz que no caso da Alumínio Ramos, a prioridade era permitir a perpetuidade da empresa, e garantir que os instrumentos de Governança Corporativa fossem instalados na organização. Assim o fundamental foi a preparação de um Acordo de Sócios que estabelece as regras de continuidade do negócio e das bases de relacionamentos entre os sócios, e a instalação do Código de Conduta, ou seja, as regras de comportamento ético entendidas como necessárias
para respaldar a conduta dos sócios das próximas gerações. O Código de Conduta tem por objetivo manter os aspectos culturais e os valores corporativos. O Acordo de Sócios estabelece as normas para a manutenção da
sociedade, sendo este um instrumento legal.
Quando a empresa adota estes dois instrumentos, e os sócios concordam com as regras definidas, as próximas gerações têm uma base sólida e legal que determinará suas ações. Desta forma, estes instrumentos minimizam os conflitos entre os sócios das próximas gerações, que são sempre maiores em número de pessoas do que a geração que as antecedeu.