Governança Corporativa pode resolver os problemas das Empresas Familiares

Vamos retomar nosso assunto… A Empresa Familiar!

Primeiro identifiquemos as vantagens dos negócios de família:

  • Possui valores e uma cultura forte. São bases desenvolvidas no núcleo familiar e são repassadas de geração em geração. Assim, pressupõe-se que a cada geração que assume a empresa da família, mesmo que assimilando a evolução dos tempos, os valores continuam sendo os mesmos do fundador.
  • O sobrenome da família tem relevância na localidade onde a empresa está sediada. Este fator confere credibilidade ao negócio, pois a referência não é o empreendimento, mas as pessoas que o formaram.
  • Existe um contingente de colaboradores, principalmente os mais antigos, que são fiéis e de absoluta confiança. Muitos começam na empresa quando de sua fundação, e ficam por décadas, sem pensar em se aposentar. Existe uma cumplicidade entre o fundador e os funcionários mais antigos.

As desvantagens se apresentam inversamente proporcionais. São elas:

  • Embora, teoricamente os sucessores se respaldem nos valores familiares, muitos ao assumirem os negócios, querem romper com o padrão cultural vigente, o que descaracteriza o modelo organizacional aos olhos do mercado. Clientes, fornecedores, bancos… Todos ficam sem entender que empresa é esta, pois a forma como atuaram durante anos se modificou completamente. Esta conduta gera desconfiança.
  • O sobrenome da família continua a ter relevância, mas precisa ser respaldado da credibilidade construída pelo fundador.
  • É comum os colaboradores mais antigos acompanharem o crescimento das novas gerações, desde que eram crianças. Este fato complica a vida de muitos sucessores, que ainda usavam “calças curtas” quando estes funcionários começaram a atuar na empresa. O desafio é se tornar o “chefe” destas pessoas, é apropriar-se da autoridade do cargo.

Ouvi uma vez de um herdeiro: “assim que assumir a empresa vou mandar uns três embora, para que possam ver quem manda por aqui.” Outra vez a descaracterização da empresa. Será que se mandar “uns três embora” a visão muda a respeito da competência do sucessor? Será que competência se prova com demissões?

Portanto, é necessário modernizar a empresa familiar, mas manter sua e personalidade. A inclusão de regras ainda na primeira geração pode permitir que as próximas não corram o grande risco  de descaracterizar o modelo corporativo. Esta é a essência da Profissionalização, e isto, na empresa familiar, se resolve com Governança Corporativa.

A Governança Corporativa está calcada em um conjunto de práticas, disciplinas e instrumentos que regulam relacionamentos entre: acionistas/sócios, conselho de administração, diretoria, auditoria independente (quando necessária).

Cada empresa tem sua metodologia de trabalho e cultura própria, assim é preciso cultivar e respeitar os hábitos que direcionaram os negócios rumo ao sucesso.

A partir do momento que uma empresa insere os princípios da Governança, ela também terá, obrigatoriamente, instrumentos de prestação de contas que diminuem, significativamente, os conflitos entre parentes. Além do mais, o sucessor não poderá fazer o que quiser, pois como vimos anteriormente, algumas atitudes podem manchar a imagem da empresa, e diminuir sua representatividade no mercado.

Lembre-se: A empresa é maior que seus donos.

Nos próximos posts veremos quais as formas de inserir Governança Corporativa na Empresa Familiar. Até breve!

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