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Império do luxo em ruínas, a marca Daslu vai a leilão.

Esta é a segunda tentativa de vender a marca; o lance mínimo é de R$ 1,41 milhão

Por décadas, a Daslu foi sinônimo de luxo no Brasil, mas a varejista de roupas acabou trocando os editoriais de moda pelas páginas policiais. Agora, a marca que foi epicentro de um escândalo de sonegação de impostos — e nunca voltou a ser o frisson que era — vai a leilão na próxima terça-feira (7).

O lance mínimo é de R$ 1,41 milhão, de acordo com informações da casa André Santoro que vai conduzir o certame. Esta será a segunda tentativa de vender a marca. Se não houver interessados de novo, o leilão será postergado para o dia 21 de junho, segundo o site Valor Investe.

A história da Daslu começa no fim dos anos 1950 com as socialites Lucia Piva Albuquerque e Lourdes Aranha. Elas passavam as tardes com as amigas da alta sociedade conversando e tomando café em uma casa da Vila Nova Conceição, enquanto apreciavam as coleções mais exclusivas de marcas nacionais. Desses encontros surgiu a loja que se tornou referência

Foi somente em 1990 que a Daslu passou a comercializar marcas estrangeiras, já sob a gestão de Eliana Piva de Albuquerque Tranchesi, que ficou à frente dos negócios após o falecimento de Lucia, sua mãe, na década de 1980. Tranchesi trazia para o país criações exclusivas de Paris e Milão, os polos da moda na Europa. No auge, a marca chegou a movimentar R$ 400 milhões por ano, segundo informações do blog Etiqueta Única.

Tranchesi também foi a responsável por criar a marca própria da Daslu, que contava com roupas, acessórios e sapatos, e por ampliar o leque de produtos vendidos no multimarcas: com cosméticos, lanchas e até helicópteros. Foi ela também que transformou a varejista em um suntuoso templo do luxo, em uma loja de 20 mil metros quadrados no bairro Vila Olímpia, em São Paulo. Na época, a obra custou R$ 100 milhões.

A reviravolta dessa história de luxo e poder aconteceu em 2005, quando a Polícia Federal, em parceria com a Receita Federal e o Ministério Público, deflagrou uma operação para apurar crimes de sonegação de impostos cometidos pelos proprietários da Daslu.

Tranchesi e seu irmão Antônio Carlos Piva, na época diretor financeiro da loja, foram detidos.

Eles foram condenados a uma pena de 94 anos pelos crimes de formação de quadrilha, fraude em importações e falsificação de documentos. Ficou provado que por muito tempo os sócios subfaturaram notas fiscais dos produtos vendidos.

Apesar da sentença, a empresária deixou a penitenciária um dia depois de ser presa, pois fazia tratamento quimioterápico contra câncer. Ela faleceu em 2012 da doença.

Com o escândalo, a companhia entrou em recuperação judicial, com dívidas de R$ 80 milhões em 2010. No ano seguinte, a marca acabou sendo vendida por cerca de R$ 65 milhões para o investidor Marcus Elias, do fundo Laep Investments, que também foi dono da Parmalat no país.

A butique ainda atendeu os clientes até 2016 no Shopping JK Iguatemi, quando o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o despejo da loja, devido a uma dívida de R$ 3 milhões em alugueis. Na época, o jornal Estado de S.Paulo chegou a noticiar que a empresa também estaria enfrentando dificuldades para pagar salários de funcionários e teria dívida

No mesmo ano, o empresário Crezo Suerdieck, dono do DX Group, especialista na aquisição de ativos em dificuldades, tentou assumir a gestão da empresa com um aumento de capital de R$ 11 milhões. Mas a Justiça cancelou a operação.

No mais recente capítulo dessa história de império em ruínas, Antônio Carlos Piva de Albuquerque foi preso pela Polícia Militar, em São Paulo, na última segunda-feira (30 de maio), condenado a 7 anos e 8 meses de prisão, em regime fechado, por crimes contra a ordem tributária.

Agora, o desfecho pode ser a venda da marca Daslu na próxima terça-feira.

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