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Justiça decreta falência da Máquina de Vendas, que recorrerá da decisão.

Juiz vê inviabilidade econômica do negócio; presidente da empresa diz que vai recorrer e que não houve pedido de falência por credores.

A Máquina de Vendas, dona da Ricardo Eletro, teve sua falência decretada pela 1.ª Vara de Falências de São Paulo, que citou a falta de viabilidade econômica do negócio. Segundo o juiz Leonardo Fernandes dos Santos, a empresa não demonstra capacidade de “se reorganizar financeiramente”. A companhia se disse pega de surpresa pela sentença. “O juiz tomou essa decisão sem ouvir ninguém. Nenhum credor pediu nossa falência, e o administrador judicial não quer a falência”, disse Pedro Bianchi, atual controlador e presidente da varejista, que já recorreu da decisão.

O Estadão conversou com um credor da companhia que afirmou que, pelo menos por ora, não há intenção mesmo de pedir a falência da companhia, apesar de existirem dúvidas se o negócio, um dia, terá capacidade de honrar seus compromissos. Por isso, há ações de cobrança e execução de garantias em curso. A dívida do negócio supera R$ 5 bilhões, incluindo tributos, e somente o Bradesco e o Santander concentram cerca de R$ 2 bilhões em títulos da dívida (debêntures).

DIFICULDADES. Foi mais um golpe em uma série de derrotas para a varejista, que acumula quase dez anos de crise. A Máquina de Vendas, que chegou a ter 1,2 mil lojas e a faturar

R$ 9,5 bilhões, rivalizando com gigantes como Casas Bahia, Ponto e Magazine Luiza, hoje é um site com poucos produtos e

faturamento próximo de zero, conforme mostrou reportagem do Estadão no fim de abril. A companhia, além da Ricardo Eletro, também concentrava bandeiras como CityLar (no Centro-Oeste) e Insinuante (na região Nordeste).

Mesmo com a situação delicada, porém, Pedro Bianchi afirma que nenhum dos 17 mil credores pediu a falência da empresa, que segue com os planos de retomar as operações nas próximas semanas. “A empresa está com salários e encargos sociais em dia e já estamos com 30 mil produtos novos subindo para o site”, diz.

A expectativa do executivo para o negócio é bastante ambiciosa, considerada a situação

atual: ele espera que a companhia volte a ter vendas brutas de R$ 120 milhões mensais até o fim do ano.

Caso a liminar não seja concedida, o empresário diz que a Máquina de Vendas vai recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ). “Mas estamos com boas expectativas de a liminar ser aceita e existem credores que já vão entrar no recurso nos apoiando”, afirma Bianchi.

HISTÓRIA. Depois de atingir o faturamento de R$ 9,5 bilhões, em 2014, a varejista entrou em um período de dificuldades que coincidiu com o período de recessão econômica do Brasil. Em 2018, veio a recuperação extrajudicial – graças aos bilhões em empréstimos tomados com bancos e fornecedores – e a promessa de que as coisas iriam mudar. Foi nessa época que Bianchi, então sócio do fundo Starboard, assumiu o comando da empresa. O fundo, por seu turno, já não é mais sócio da companhia.

A pandemia de covid-19 complicou o cenário da já combalida Máquina de Vendas, que decidiu fechar todas as lojas. Resultado: a receita da empresa foi minguando, de R$ 180 milhões mensais em 2019, para um valor irrisório nos últimos anos.

Para completar a crise de credibilidade, o fundador da Ricardo Eletro, Ricardo Nunes, foi preso em 2020, acusado de sonegação de tributos, mas ficou só um dia na cadeia. Bianchi comprou a participação de Nunes na varejista, e o antigo dono partiu para a vida de “coach” de empreendedores.

Foi também durante a pandemia que Bianchi decidiu largar o cargo na Starboard para se dedicar apenas à Máquina de Vendas. Com isso, a sua principal missão foi renegociar as dívidas da companhia, que chegam a R$ 4 bilhões, além de mais R$ 1 bilhão em atrasos tributários. O resultado disso tudo foi que a empresa precisou entrar em recuperação judicial.

Mais recentemente, a varejista passou por uma reestruturação total. De 28 mil funcionários no auge, reduziu a operação para 40 pessoas. Também mudou o sistema do e-commerce para uma tecnologia da Vtex, com a esperança de que as vendas online poderiam representar o início da retomada da empresa.

Existe a ideia de, inclusive, retomar a operação de lojas físicas em 2023. Para Bianchi, os planos de retomada continuam normalmente, mesmo com a decisão de falência decretada pela Justiça de São Paulo. “Tudo continua nos planos. Aqui é ‘imparável’”, diz ele.

Saiba mais: https://digital.estadao.com.br/search?query=ELETRO&in=ALL&hideSimilar=0&type=1&state=0


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